Estado da arte da cientometria internacional. Breve análise do ranking de produção científica em 2026
A cientometria internacional, encarada como mensuração sistemática do volume da produção científica global, depende de diversos fatores de que não se ocupa especificamente este texto, desde a política de formação de investigadores à disponibilidade de recursos, passando por questões que se prendem com a natureza, os fins e as prioridades das próprias políticas científicas nos diversos contextos.
Em todo o caso, resulta do senso comum que o volume da produção
científica depende, em larga medida, dos recursos financeiros que os Estados e
outras organizações decidem alocar à investigação científica. Geralmente, esses
recursos são expressos em termos de percentagem do Produto Interno Bruto (PIB).
É evidente que não basta enumerar as produções científicas e as
respetivas citações para se aquilatar sobre a qualidade, a pertinência e os
impactos da produção científica a nível global e dos países. Com efeito, ao prosseguir
os mais diversos fins, incluindo o desenvolvimento do potencial bélico que
alimenta as guerras e os conflitos e a sofisticação da criminalidade, os
produtos e os impactos da investigação científica estão sujeitos a uma
diversidade de perspetivas de valoração ou de juízos de valor (de pendor académico,
político, ético, económico, cultural, etc.). Cingindo-nos ao plano académico,
muito se tem discutido acerca do que é a boa ciência ou o conhecimento válido, muitas
vezes confundidos com a ciência ocidental, com subalternização da ciência produzida
noutros contextos, ou com o conhecimento produzido no campo das ciências exatas,
em detrimento das ciências sociais e humanas (Varela, 2014). O conhecimento
leigo, experiencial ou do senso comum revela-se, amiúde, tão válido como o
conhecimento científico (Varela, 2014), constituindo um manancial do que pode
chamar-se de uma “ciência invisível”, que a investigação científica pode comprovar
como conhecimento válido, pelo que constitui uma referência importante de orientação das políticas
de investigação, particularmente nos países periféricos.
Porém, não é especificamente sobre a natureza, os impactos e as
finalidades específicas das produções científicas de que se ocupa este texto. O
móbil deste é mais modesto, embora nem por isso destituído de pertinência: propõe-se
evidenciar que, a par da relevância global da cientometria internacional, está
em causa a diversidade de níveis de desenvolvimento cientifico à escala global
ou regional, que requerem escrutínio e desvelada atenção, posto que, a partir
de um determinado nível desenvolvimento científico, são inevitáveis os impactos
daí decorrentes, quer em termos de prossecução da justiça cognitiva e de promoção
do desenvolvimento sustentável, que constituem um desiderato comum da
humanidade.
Neste texto, ocupamo-nos, tão somente, da análise dos dados da
cientometria internacional referentes ao ano de 2026, com recurso a fontes universalmente
reconhecidas como idóneas, procurando não apenas evidenciar o panorama global
da produção científica, mas também caracterizar os contextos regionais em que
se inserem Cabo Verde e outros países, nomeadamente da América Latina e da
África, cujos propósitos de desenvolvimento sustentável e de progresso social
passam, inexoravelmente, pela reformulação profunda da sua política científica.
Leia o texto integral do artigo em seguida:
Estado da arte da cientometria internacional 2026
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